Hoje vamos versar sobre um tema que tem sido amiúde retratado nos media nacionais. É um fenómeno que desde sempre assola a Humanidade. Desde que alguns seres humanos começaram a aperceber-se que as suas limitações eram tão menores quanto mais exacerbadas fossem as limitações dos seus pares. LOLVamos, então, falar do bullying.
O bullying, ou tourada em português, é algo que se associa imediatamente aos miúdos, às escolas, ao roubar o dinheiro do almoço, o telemóvel, a playstation portable (pub), ao gozar com o facto de se usar t-shirts da Hannah Montana (pub) referentes ao 1º filme, quando já toda a gente passou para as t-shirts do 2º filme!
Este comportamento abusivo pode, como já vem a ser notado infelizmente, tomar proporções cujas consequências podem ser irreversíveis!
Mas esta capacidade para assediar outrem com base em pequenas diferenças, ou circunstâncias pontuais (do estilo "acordei mal-disposto vou dar-te um enxerto de porrada"), pode ser encontrada em muitas outras situações.
Tome-se por exemplo os transportes públicos. Imaginem entrar no comboio, ver alguém que conhecemos a alguns bancos à frente, dirigirmo-nos à pessoa e quando estamos quase a tomar por nosso o lugar em frente a essa pessoa, chega uma gaja qualquer que está com a amiga que se sentou ao lado do NOSSO banco, quase que nos empurra e senta-se. Claro, quando eu me sentei nos lugares atrás e tive que me virar de costas para falar com a minha colega, a outra ficou toda atrapalhada e até se levantou para eu me sentar. Mas como tenho mau feitio (ok, não tenho feitio para altercações com estranhos, ainda por cima em transportes públicos), fiquei onde estava e continuei a conversa.
Este tipo de situações não é nada raro. Se houver circunstâncias agravantes como a chuva, a greve, a hora de ponta (se forem estas 3 juntas, salve-se quem puder, é melhor ficar em casa) o número de ocorrências tauromáquicas aumenta exponencialmente...
Como aquelas pessoas que fingem estar a dormir para não dar lugar a passageiros prioritários, por exemplo. As que ignoram simplesmente que esteja uma senhora grávida de pé, argumentando que não se nota a barriga e quase pedindo o exame médico que o comprove, ou que estiveram o dia todo em pé e lhes dói o joelho ou que sofrem de dores nas costas ou que também já tiveram filhos e têm todo o direito de permanecer sentadas (eu ouvi isto de uma senhora quando estava grávida de 6 ou 7 meses e me quis sentar num lugar prioritário)...
São tantos os delitos quantas forem as situações que reúnam um grupo relativamente grande de pessoas sob um denominador comum: o trabalho, a escola, a repartição pública, o restaurante (as batalhas fumadores vs. não-fumadores...)...
É um fenómeno intrínseco à condição humana. Sim, é. É algo que se pode atenuar. Sim, é. A educação dos nossos filhos pode ser direccionada para a tolerância, para a compreensão. Sim, pode (agora parecia o RAP a imitar o MRS opinando a legalização da IVG).
Não se pode erradicar a coisa. Num qualquer dia de uma qualquer escola ou de um qualquer prédio haverá sempre um miúdo a ser empurrado porque gosta de comer ameixas, ou uma rapariga a ser chamada de totó porque não usa cor-de-rosa. Eu com 12 anos levei uma mala estilo executivo para a escola. Dois colegas meus acharam que fiz mal e pontapearam-me a mala novinha em folha. Escondi-a atrás das pernas para a proteger.
E se é ingénuo pensar que só as crianças agem assim, mais ingénuo é pensar que as crianças de hoje são como as de há 22 anos atrás. Hoje crescem muito depressa, têm acesso a muito mais informação, e quanto mais informação mais poder. E se mais poder têm uns, menos informação têm outros. E a coisa piora quanto mais nos emaranhamos nela. E quando de poder abstracto passamos para as posses materiais, volta a questão... as falhas de uns serão tanto menores quanto mais sublinhadas forem as falhas dos outros.
Bolas, era suposto eu fazer um post com piada. Está claro que não consegui. E agora... bullying cibernético, anyone?
Mag