O síndrome de final de segunda-feira.
As viagens de regresso a casa que nos parecem mais rápidas que as que fazemos de manhã, em sentido contrário (estranhamente, a mim acontece-me o oposto - nada que um Dr. Divã não me possa ajudar a perceber). 20 minutos que parecem 10 numa altura e 40 noutra, é a tal questão de que o tempo não é mais do que a percepção que nós temos de uma sequência de qualquer coisa que facilmente se perde quando gasta em actividades vãs (como por exemplo a leitura de frases ilógicas como esta).
Bem, divago.
Entrei no comboio com uma pontinha quase inexistente de esperança de encontrar lugar sentado. Obviamente que tive de me esconder entre carruagens para poder congeminar a minha mais recente inclusão aqui no MeiaLiga. Entretanto vi-a entrar. Não sei bem o que me fez prestar-lhe atenção. Se o seu ar tímido, de quem preferia ter-se escondido entre carruagens e elevar o anonimato a um plano extra-sensorial, se a vontade de ter algo sobre o qual dissertar neste post.
Certo é que algo nela me chamava a si. Vi-lhe no olhar a vontade de não olharmos para ela. O desconforto de não sentir a sua pele como sua. Notava-se sofrimento e cada uma das rugas do seu rosto, maus cuidados num sorriso triste, no cabelo que lhe desfalecia pelos ombros. Imaginei que por detrás daquele semblante sofrido ela lutasse para não ser vista como apenas mais uma. Imaginei que para além do silêncio sepulcral em que ela se enterrava, de tudo fazendo para não trocar olhares com nenhum de nós, estavam gritos de luta e desespero.
Embrenhada nestes pensamentos fui acordada pela sua voz estridente cortando a pacatez da viagem:
"Olha lá, conheces-me de algum lado?!!??? Que é que foi? Queres levar um pêro nas trombas???"
Mag
1 resmas e paletes:
LOLOLOLOL Morri (de riso)
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