16.9.11

Mag's useless Guide to Everything you've never imagined having a guide for...

Manual de Instruções para as Pessoas que andam nos Transportes Públicos






Caros leitores. Eu sou uma commuter. Eu dependo dos transportes públicos para realizar tarefas importantes como "deslocar-me de casa para o local de trabalho" e "vice-versa". Como tal, exijo a manutenção de determinadas condições emocionais em cada uma dessas tarefas. Quando saio de casa quero acreditar que a vida é bela e clichés afins, que há pessoas bem-dispostas no comboio e que a música anima o estado de espírito e ninguém lê jornais gratuitos de qualidade duvidosa.






Quando regresso, quero inalar por todos os poros a promessa de um retorno largamente ambicionado. O cheiro a comida preparada no fogão, o aconchego do sofá, os canais que regurgitam séries frívolas que em nada engrandecem o meu ser.






Bem, quero poder usufruir desses estados de espírito... em paz. Quero ter o sossego necessário para imaginar que tipo de informação vital venho aqui colocar à vossa disposição.






Como tal - e agora é que chegamos ao busílis da questão - eu não tinha qualquer interesse em saber, hoje de manhã, que a gaja ao meu lado se está a separar do gajo com quem vive (que conheceu há 2 anos), tem um filho com 16 anos, outro que foi colocado na escola x que ela odeia, que ela nem sequer queria morar naquela zona, que tirou um curso de hotelaria e ontem serviu o Ministro da whatever, que tinha uma vida infeliz e vai mudar de casa e amanhã faz 36 anos.






Gaja: o que é que a população do Seixal tem a ver com isso? E 53kg? Tinhas MESMO que dizer isso?






Bem *respira fundo e acalma-se* antes do mais nem me vou alongar nestas questões. Já ouvi mulheres discutirem a vida conjugal com as amigas ao telemóvel, mulheres que se queixam de amigas a outras amigas, namoradas que discutem com namorados.... enfim, not a a good thing to hear. EVER.






Se é para entrar nesse tipo de detalhe, mais vale arranjar assuntos interessantes, como por exemplo, dizer alto e bom som: "Eu sou ninfo", num comboio da Linha de Sintra.






Não é, sei lá, muuuuito mais interessante? Não revela nada mas mantém o público interessado. Motivado. Ciente de que aquela viagem mudou só por causa de um simples, inocente comentário. Ninguém precisou saber o estado da minha vida amorosa. Vontade tinham. Mas não precisei estragar-lhes o momento com pormenores concretos.






Vêem? E assim proporcionei a alguém, quiçá, um post diferente num blog qualquer desta rede virtual.





Mag

3 resmas e paletes:

ruth disse...

eu também sou fã das frases singelas mas bombásticas. O sr. que ouviu a informação eu «sou ninfo...», virou o rosto discretamente para ver se aquilo era tudo imaginação dele ou qual o aspecto da moçoila que havia dito tal informação. Tudo muito discretamente, claro...

Nikopol disse...

Uma vez ouvi na TSF uma entrevista a um português que deu a volta ao Mundo para desenhar pessoas que via no Metro. Desenhou centenas, milhares, ou mesmo dezenas... Pega num bloco de apontamentos e faz um retrato escrito de cada viagem de Quimboio. Vais ver que nunca mais te vão aborrecer :D

Mag disse...

Pois é Lápis Azul... eu já ando com o bloco na mala, este post começou a ser criado mesmo ao lado dos 53kg irritantes da sôdona commuter :D

Mas o lixo tóxico nos meus tímpanos estavam a bloquear a minha criatividade, confesso... :P