A vida em sociedade é uma teia de inputs e outputs de informação completamente supérflua.
Enquanto houver galinhas para comparar entre vizinhos, haverá assunto para reflectir e consequentemente entreter as muitas pessoas que lêem isto (sim, todas as 3).
Há pouco, num raro momento de confraternização entre colegas que partilham o mesmo edifício e amiúde sujeitos às mesmas regras e processos laborais, que se cruzam em raros momentos de partilha espacio-temporal, mormente designados por "encontrámo-nos no elevador à hora de almoço", dei por mim no terraço da casa - leia-se telhado - a observar a fauna circundante.
Felizmente estamos numa zona de Lisboa que abunda em especimens criativos no que toca a arranjar motivo de chacota. Por isso não foi com espanto que nos deparámos com um indivíduo (até bem-parecido) em calções, estendido no terraço/telhado do prédio onde vive, absorvendo - completamente alheio aos mirones (nós) - os raios de sol que ainda teimavam espreitar às quatro da tarde desta quinta-feira pseudo-outonal.
Foi o mote para, num momento de pura nostalgia, recordarmos outros víveres que constam dos anais deste quarteirão.
Temos uma vizinha que do alto do seu 3ºandar aproveita a exígua varanda da frente para estender uma toalha no chão e deitar-se em lingerie para se bronzear. Nós entendemos perfeitamente que os vidros fumados do nosso edifício pareçam impedir que vejamos o que se passa lá fora. Talvez o facto de ela não nos ver a nós lhe descanse a consciência e permita ignorar que o contrário não acontece. Deixemo-la estar e aproveitemos que o Verão anda com Alzheimer e vagueia pelo ano de 2011 como se ainda estivesse em Julho.
Depois, os apartamentos que sofrem de migrações estudantis. Já tivemos um que, habitado por duas jovens na flor da idade, era frequentemente visitado por vários amigos, levando com eles música bebidas e charros. Além disso, também elas optavam por trajes menores para realizar as tarefas domésticas. Começo a notar um padrão nos hábitos dos inquilinos dos prédios em frente.
Pensando nestes exemplos de vida - dignos de menção num programa qualquer da estação de Queluz - indigno-me perante a total impossibilidade de poder viver largamente o meu à-vontade fora das 4 paredes de casa. Com um quintal amplo e solarengo, também eu deveria poder usufruir da liberdade de andar em lingerie pela relva artificial. Mas não. Tenho prédios nas traseiras, rodeada de casas mais elevadas que a minha, e sou um alvo para todos os mirones possíveis e imaginários.
Note-se que isso não é, a priori, impeditivo. Há quem, mesmo sabendo (ou porque sabendo) ser alvo de olho alheio, não se coíba de passear os últimos modelos da Triumph enquanto fala ao telemóvel sobre os últimos acontecimentos mais marcantes da novela da vida real que é a sua...
...mas os meus vizinhos não são giros :)
Mag
1 resmas e paletes:
lol sim, é curioso viveres numa vivenda e teres menos privacidade que eu que fico num apartamento de 2 assoalhadas no 3ºandar. Ainda assim eu faço usofruto dessa coisa maravilhosa chamada «cortinados»
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